
Ao encerrar a terceira edição da TranspoAmazônia — maior feira de transporte e logística da região Norte —, no dia 29 de maio, representantes de 28 entidades ligadas à infraestrutura e transporte assinaram um documento batizado de Carta da Amazônia. O texto é direto: seis rodovias federais estão em estado de abandono e precisam de manutenção urgente. As vias citadas são BR-319, BR-174, BR-364, BR-153, BR-163 e BR-230, conhecida como Transamazônica.
O evento reuniu mais de 15 mil visitantes e projetou R$ 900 milhões em negócios. A Carta foi lida no plenário como cobrança ao poder público. As rodovias experimentam um problema comum de trafegabilidade precária, que se transforma em crise durante os períodos de chuva.
A BR-319, que liga Manaus a Porto Velho e é a única conexão terrestre da capital amazonense ao restante do país, concentra os exemplos mais graves. A população local sofre com a falta de infraestrutura, já que a trafegabilidade impacta o acesso a bens básicos e à serviços de saúde. A continuidade das obras na BR-319 também traz implicações mais gerais para o desenvolvimento da região, já que a expansão da rodovia deve ser acompanhada pela expansão de outros serviços públicos, como discutido na ação civil pública que bloqueou o processo licitatório para as obras na via (Ação Civil Pública nº 1020686-23.2026.4.01.3200, que havia provocado a decisão de suspensão das contratações públicas pela 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária do Amazonas, suspensa em decisão do TRF1).
A Carta assinada na TranspoAmazônica contrapõe o posicionamento de ativistas contrários às obras na região (especialmente na BR-319 e na BR-230), que apoiam ações judiciais de bloqueio em função do impacto ambiental das obras de infraestrutura na região. A narrativa é conhecida: estradas pavimentadas facilitam o acesso de grileiros e madeireiros a áreas preservadas. O argumento é tecnicamente válido para contextos de fiscalização fraca — mas, quando aplicado de forma genérica, serve também para justificar a paralisia de investimentos em uma região onde 3,9 milhões de quilômetros quadrados seguem com conectividade inferior à de países muito menores.
As demandas por preservação ambiental, especialmente aquelas direcionadas através da pressão internacional, devem ser medidas em relação a necessidade de integração que os próprios amazônidas reclamam e que tem um potencial de trazer benefícios para o Brasil como um todo.
A solução ideal passa por um planejamento capaz de aumentar a presença do Estado brasileiro na forma de serviços públicos, fiscalização e policiamento. Entretanto, esse fortalecimento dificilmente ocorrerá sem o acompanhamento de atividades econômicas.
Redação
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Foto: Anderson Cardoso
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